01/11/2010

JOGOS DO "MEU TEMPO"


Jogos do meu tempo (dos 5 aos 12 ? - anos 50 ? ) :


A bola de trapos, “encapadas” com as “meias de vidro” da minha mãe, jogada na rua até às 22h. ou 23h. ! (no Verão o relógio era adiantado 2 horas).


O “arco mais a gancheta”, para fazer corridas na rua ou “gincanas” de perícia.


A pincha, moeda concavada, que era batida contra a parede para a fazer aproximar o mais possível de um alvo no chão. Era jogada a “botões” surripiados lá por casa.


O “carolo”, uma espécie de golfe com um berlinde jogado com a ponta dos dedos, de modo a enfiá-lo numa sequência de buracos a 1ou 2 metros de distância entre si.


Os nossos brinquedos eram feitos por nós próprios. O que mais gostei: combóio feito de latas vazias de conservas.; fazia-se um furinho em cada ponta, uniam-se com um araminho e na lata da frente um bocado de madeira a fazer de máquina. Depois brincáva-se na terra preta, alisada, fazendo as respectivas linhas e empurrando o "combóio" puxando a "máquina".
Outro: Uma tábua , um prego bem afiado espetado de baixo para cima, um testo pousado na ponta do prego e feito rodar até parar, tipo roleta. A tábua e o testo tinham as respectivas marcas, para ver em que zona parava e jogava-se a feijões.

Havia um outro jogo parecido com o “Prego” mas com “pregos” de uns 50 cm. e bem mais pesados. O jogo chamava-se “Jogo da Roça”. A “roça” era atirada para o chão de modo a ficar espetada e bem firme, porque o objectivo era o parceiro, fazendo o mesmo, tentar derrubar a que estava espetada e assim sucessivamente.


... e o pião em que era enrolada a “faniqueira” e segura a ponta desta entre os dedos se atirava com força o pião na direcção do outro que já estava a rodar no chão, tentanto acertar-lhe. Para além disso, o vencedor tinha direito a “nicar” o outro com a sua ponta de lança afiada um X nº de vezes (isso é que dava um prazer dos diabos !). O do adversário ficava todo picado.


Os “Cow-boys” : "emboscadas", "mãos ao ar", ou "estás morto" (tipo “paint ball” sem lançar nada) para os rapazes , a “Macaca” para as raparigas.


O “Bate-fica” – às escondidas, quem fosse “tocado” ficava fora do jogo, até restar 1 (o vencedor).


O “saltar o eixo” – saltar em corrida sobre um ou uma série de rapazes agachados, no caso de mais que 1 com o auxílio do ombro de 2 “ajudantes”, em corrida.


O “Mapa do Tesouro” – uma “coisa” era escondida e era feito um mapa enigmático do local. Havia um tempo para o grupo o encontrar.


O que mais gostava: Decifrar "charadas" criptografadas, que eram entregues a vários, a ver quem conseguia decifrá-las mais depressa.

Idem charadas com números em sequências numéricas. Qual o nº que deveria aparecer seguidamente a uma série deles.

Ouvir as notícias dos tempos de chegada das etapas da volta a Portugal e fazer logo as contas em horas, min.s e seg.s para ver como ficou a classificação (coim 10 anos fazia isto com enorme facilidade, antes de aprender na escola.

Jogar as "Damas" no respectivo tabuleiro.

As coridas de trotinetes (ou caixotes) com rolamentos pela rua abaixo e os joelhos esmurrados ou pior.


As corridas (atletismo) entre os marcos hectométricos das estradas principais.


As corridas nas “pistas improvisadas” dos campos de milho (quando este tinha entre 5 e 30 cm. de altura.


As meninas jogavam às “casinhas” e os meninos com as meninas brincavam aos “médicos” e às "doentes" (se,... e quando, ... ) , mas não dava em nada ! :


Os maiorzinhos: Eh! pá, estive praí meia hora com a fulaninha ! Ei, pá, e depois ? ... Depois falamos, falamos... Sim ! mas e depois ? ... Ó pá ,... nem queiras saber ! ... Fantástico, ... vocês nem vão acreditar : depois, pá ... um "aperto de mão" !!!...


... e tantos, tantos outros !!! ...

.


Uma juventude muito mais saudável que a actual, sem a mínima dúvida !

... e vocês ?...

8 comentários :

  1. O jogo que me lembro melhor era o da Macaca e de fazer as roupas para a minha boneca, agora é tudo comprado feito e sofisticado. Quanto a piões, o meu miúdo tem dos modernos, de metal, não são nada parecidos aos antigos.

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  2. Eu brincava muito de roda na rua da minha casa, de amarelinha, de pegador, de cabra cega, de boneca, de casinha e por ai a fora.
    Sinto por minha filha não ter a mesma liberdade que eu tinha para brincar. Hoje a realidade é muito dura e temos quase que manter os filhos sempre dentro de casa.
    Bjs.

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  3. cantinhodacasa1/11/10 22:05

    E eu nem bonecas tive! Era uma Maria-rapaz ,como dizia a minha mãe.
    E jogava à macaca, ao mata, escorrregava pela pedra na rua onde vivia em miúda, adorava o tempo das colheitas, pois ia para a desfolhada, comia-se, cantava-se...
    Acredita mesmo, Rui, nuncca tive bonecas. E não me fizeram qualquer falta.
    Boa enumeração das brincadeiras/jogos que os rapazes tinham
    Beijinho

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  4. Isa
    A Macaca era quase universal ! :)) ... as bonecas o normal para as meninas.
    Os tempos não têm a menor hipótese de comparação ! Desde o fazermos os brinquedos que hoje ninguém faz (tudo é comprado) e isso é mau, porque se perde espírito criativo.
    .

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  5. Fatima
    Os lugares são muito diferentes, mas há os “universais” : cabra-cega, bonecas, casinhas,... enquanto que não conheço: amarelinha e pegador (será o que eu chamo “”às escondidas” (?).
    Esse da falta de “liberdade” para brincar, pela constante vigilância a que se é obrigado é o grande problema dos dias de hoje !
    Curioso como “o dito desenvolvimento da humanidade” nos veio roubar a liberdade, até de deixar os nossos filhos brincar à vontade e sermos obrigados muitas vezes “a fechá-los em casa” !
    Bjs, Fá.

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  6. Cantinho
    Curioso não gostares de bonecas em criança ! rsrsrs
    Eu brincava muito com uma Maria-rapaz às corridas e até ao futebol e ela era mesmo craque ! :))) Não lhe fez qualquer mal, antes pelo contrário. É hoje uma excelente avó e a amizade manteve-se !
    A enumeração não foi de modo algum, exaustiva, Cantinho !
    Faltou falar nos passeios de bicicleta por tudo que era lado. Ainda hoje moro no mesmo sítio (Ermesinde) e conheço tudo, tudo que sejam ruas, lugares, sítios.
    A rua deu-me possibilidades de ser desportista (muito razoável) no FCP dos 13 aos 20 anos (inclusivé Campeão Nacional e Internacional).
    Aqueles jogos mais intelectuais e matemáticos, forneceram-me excelentes bases para vir a ser um bom aluno nos vários níveis.
    Os tempos são incomparáveis !!!
    Bejinho
    .

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  7. cantinhodacasa2/11/10 22:03

    São mesmo incomparáveis.

    Beijinho

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