02/09/2010

PROFESSORES

Re-editado

A Rosa dos Ventos identificou e respondeu certo às questões por e-mail (para não acabar com o "jogo") e
A Luisa identificou-os também (sem outras pistas ou "dicas"
).

Isabel do Carmo e Carlos Antunes
Duas personalidades de Topo da Revolução, mais “revolucionários” que qualquer um, de todos os outros e que comprovam que a Revolução não foi assim tanto de “Cravos”, como se possa julgar.

Muito há ainda hoje por esclarecer aos mais novos, que não acompanharam de perto a Revolução e as suas consequências próximas, nomeadamente no aspecto da autêntica destruição económica do país.

Isto poderá ser um “cheirinho” se tiverem paciência.

Muito se lhes deve (para o bem e para o mal), pela sua acção anterior a abril de 74 e não tão só aos militares, a própria Revolução de 25 de Abril.

Isabel do Carmo, hoje.


Isabel do Carmo, hoje conceituada e prestigiada professora e médica num hospital de Lisboa e autora de uma série de literatura nutricionista.

Desde os 15 anos na política activista, vivia no Barreiro mas andava no liceu em Lisboa. Participou no MUD Juvenil e aos 17 anos entrou para o Partido Comunista de onde saiu em 1970. Nesse mesmo ano fundou com o marido Carlos Antunes, as (BR) Brigadas Revolucionárias e mais tarde (1973), o Partido Revolucionário do Proletariado (PRP).

Após o 25 de Abril, destacou-se no denominado "período quente", desenvolvendo grande actividade revolucionária nas ruas, em empresas e em fábricas.
Acabou por passar alguns anos presa, acusada de "autoria de acções armadas".
Após a sua libertação seguiu a carreira médica.


O Partido Revolucionário do Proletariado era um partido político de inspiração Guevarista nascido na clandestinidade em 1973 e dissolvido em 1976.
Nasceu de uma cisão na FPLN (Frente Patriótica de Libertação Nacional). Dava fundamental importância à luta armada e, durante o Marcelismo, foi especialmente conhecido pela actividade das BR (Brigadas Revolucionárias) grupo armado a quem esteve ligado ideologicamente e organicamente.

Foi um partido com influência nalguns militares revolucionários do COPCON e durante 1974 e 75 organizou um número indeterminado de Concelhos Revolucionários. Estes eram grupos de trabalhadores preparados para a auto-defesa armada da revolução.
O trabalho político junto do COPCOM (de Otelo) apelava à marginalização da Assembleia Constituinte e à legalidade favorecendo o Poder Popular Armado e Revolucionário.

Integrou também a Frente de Unidade Revolucionária, junto com outros partidos de esquerda e também participou na organização dos SUV – Soldados Unidos Vencerão.

Os SUV eram uma organização de soldados revolucionários que pretendia indisciplinar os quartéis e inutilizar o exército no caso de pretender ser utilizado para um golpe militar.

O PRP-BR recebeu as 3000 espingardas G3 que poderiam servir para armar os Conselhos Revolucionários e organizar uma insurreição popular.

Durante o PREC não utilizou as armas para atentados pessoais, mas foi responsável pelas granadas atiradas contra as esquadras da polícia depois do governo ter rebentado à bomba o emissor da RR e também atacou com bombas de fumo um comício de apoio a Pinheiro de Azevedo no Terreiro do Paço e que deu origem à célebre frase : “É só fumaça”, gritada na altura por Pinheiro de Azevedo.

O PRP apoiou a candidatura às eleições presidenciais de 76 de Otelo.

Vários dos seus militantes foram vítimas de perseguição policial pelo vínculo entre as velhas BR e um novo grupo armado, as Forças Populares 25 de Abril.

Isabel do Carmo disse mais tarde que :

“abandonou o PCP por duas razões fundamentais: quando leu os processos de Moscovo e quando ocorreu a invasão da Checoslováquia, percebeu aquela enorme burla em termos de democracia e de liberdade. Foi brutal e violento, porque se abateu sobre nós o peso da descoberta de um regime altamente repressivo e, sobretudo, a descoberta do estalinismo em toda a sua extensão.”

Era ponto de honra de Isabel do Carmo e Carlos Antunes não provocarem mortes. Nem mesmo as acções levadas a cabo antes do 25 de Abril. A ordem era para não matarem nem mesmo agentes da polícia política, a PIDE.

Só em meados de 1978, ao fim de três anos de intenso trabalho, a Judiciária conseguiu atingir o coração das Brigadas Revolucionárias.

A ofensiva policial, lançada em 1978, não visou apenas os operacionais. Os mais destacados líderes do PRP, como Carlos Antunes e Isabel do Carmo, também foram presos – acusados da autoria moral dos crimes.

Os guerrilheiros das Brigadas Revolucionárias que escaparam à ofensiva da Polícia Judiciária, e outros que a seguir foram colocados em liberdade pelos tribunais, vieram a engrossar as fileiras das Forças Populares 25 de Abril – a organização terrorista fundada, em 1980, por Otelo Saraiva de Carvalho.

Questão inicial :
Quem lhes parece que eram e o que foram, para além de professores ?

14 comentários :

  1. jornalistas e ela trabalha na SIC
    Vou ver o nome;)

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  2. Acabei de mandar por mail...
    Mas vou repetir...

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  3. Nina
    Não, Nina. Anos 80. Professores e na altura ... :))
    .

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  4. Rosa dos Ventos
    OK. Aguardo. :))
    .

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  5. cantinhodacasa2/9/10 14:05

    Está difícil. Agora, ele terá 70 anos e ela 50 e tal...


    Beijinho

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  6. Isabel do Carmo e Carlos Antunes

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  7. Huum...
    Terá a Luísa razão?
    Então n sei quem são:)
    bji gde

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  8. Cantinho da Casa
    Deve andar por aí e claro que conheces, pelo menos a senhora !
    Aconselho-te a ler o texto que vou colocar no post.
    bjs
    .

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  9. Luisa
    Claro que sim, Luisa, mas devo acrescentar que já a Rosa dos Ventos me tinha enviado de início, por e-mail as respostas certas.
    Só esperava que mais alguém identificasse.
    Aconselho a ler o texto que vou acrescentar ao post.
    .

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  10. Nina
    Estava certo, realmente !
    Não tinhas obrigação de saber, mas a partir de agora vais "ter que saber" quem foi esta mulher extraordinária (para o bem e para o mal)!
    O texto vai ser um pouco extenso, mas há muitas coisas àcerca da Revolução, que os mais novos deverão saber ! Há ainda muito para contar !
    Isso de "cravos" foi uma "estória da carochinha" !
    bjs
    .
    .

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  11. cantinhodacasa2/9/10 17:44

    Pois. Há nomes que passam.
    Mas tu sabes a história toda!
    Já nem me lembrava do PRP.
    E de políticos e política, desculpa, mas não entendo nada.
    Grande conhecedor és tu.
    Beijinho

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  12. Cantinhodacasa
    Isabel do Carmo é na realidade um dos grandes nomes da revolução, quer para o bem, quer para o mal que foi feito a este país e de que ainda hoje se recente.
    Vivi na pele todos os acontecimentos, já a trabalhar e com muitas responsabilidades na Direcção de uma empresa com 400 pessoas !
    Todos estes agrupamentos revolucionários e os sindicatos tudo fizeram para tentar destruir toda a força produtiva do país, levando a cabo acções de extrema esquerda, para transformar todas as actividades produtivas em cooperativas e auto-gestionárias, que levaram muita empresa à falência!
    Muito de mal se passou e a verdadeira história da Revolução ainda não foi contada, por falta de coragem !
    Os cravos e a plena Democracia são um mito e continuamos na cauda da Europa, ao fim de 35 anos de amplas liberdades !
    Bjs
    .

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  13. E assim se vai fazendo a História deste país que é o nosso...
    E tu vais ajudando os mais novos a recordar ou a aprender mesmo!
    O 25 de Abril foi há 36 anos e anda por aqui gente muito nova e ainda bem porque também têm muito a ensinar, pelo menos a mim...
    Grande lição!

    Abraço

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  14. Rosa dos Ventos

    A História é uma coisa que só se pode escrever quando acabarem os comprometimentos com causas, classes e grupos de opinião interesseiros ou mal informados, nem sempre, ou quase nunca, fielmente transmissores da verdade, mas orientados por interesses e pressões de vária ordem e distorcidos por opiniões interessadas na manutenção de uma ideia, que interessa fazer passar, muitas vezes, ou quase sempre, desviada da verdade.

    A opinião pública vai-se formando assim, de acordo com informações baseadas num status criado e passada aos mais novos dando ênfase apenas à parte boa das situações passadas.

    Os mais novos, são desconhecedores da verdade e aceitam como válido aquilo que lhes é transmitido, com as distorções convenientes.
    Os mais velhos sujeitam-se a críticas dos ditos grupos interessados ou daqueles que não conhecem a verdade e têm uma certa relutância em falar sobre o assunto.

    Normalmente só à 3ª geração existe o àvontade e o descomprometimento para se falar e escrever sem pressões e aí então se começa a escrever a história.

    É impossível no “espaço” de um blog, por um lado, emitir opiniões ou relatar factos fundamentados e por outro, a pouca atenção e interesse que é dado a esses escritos, a maior parte dos quais, lida atentamente apenas por uma, três ou meia dúzia de pessoas interessadas.

    Beijo
    .

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